sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ilusão de luzes de Brad Goldpaint


Na madrugada de 17 de janeiro de 1994, um terremoto de magnitude 6.7 na escala de Ritcher matou 57 pessoas e feriu cerca de cinco mil na região de Los Angeles. O choque foi sentido a uma distância de 320 quilômetros do epicentro. Devido aos estragos causados – mais de vinte milhões de dólares em prejuízos – o fornecimento de luz elétrica na cidade de Los Angeles foi interrompido.

Os habitantes puderam observar, nas noites seguintes, o céu noturno dos nossos distantes antepassados.

Muitos não conseguiram compreender o espetáculo. Tal como os gauleses das histórias de Astérix, começaram a recear que o céu lhes caísse sobre a cabeça. Às linhas de emergência da polícia começaram a chegar chamadas de pessoas assustadas porque olhavam para cima e viam uma «nuvem prateada».

Ed Krupp – diretor do Observatório Griffith de Los Angeles há quarenta anos – diz ter recebido inúmeras chamadas de pessoas em pânico por causa dessa nuvem prateada e por «o céu estar tão estranho». Só depois de alguns telefonemas a tentar perceber o que as pessoas julgavam ver, os funcionários do Observatório puderam perceber a confusão.

A «nuvem prateada» era a Via Láctea e «o céu estranho» estrelas a cintilar em todo o seu esplendor.

O trailer de «Illusion of Lights: A Journey into the Unseen» – um filme em time-lapse dos nossos céus – evoca este episódio e lembra a miopia das civilizações industrializadas: devido à poluição visual dos grandes aglomerados habitacionais, um quinto da população do planeta só vislumbra um céu negro assombrado por meia-dúzia de estrelas fantasmagóricas.

E só o trailer é absolutamente celestial. Vejam-no. Três minutos e meio assombrosos.




Goldpaint, é americano, tira fotografias aos céus dos Estados Unidos desde 2009, é hoje um dos nomes mais conhecidos da astrofotografia e tem uma história para contar.

O verdadeiro caminho:

A íntima relação com o Cosmos começou quando a mãe morreu. Brad Goldpaint era ainda um estudante no último ano de arquitetura e o desaparecimento levou-o a repensar o rumo que queria dar à sua vida.

Naquela altura, a decisão do «caminho» a seguir não possuía ainda um significado simbólico: pegou na máquina fotográfica, afastou-se das grandes cidades e decidiu-se a explorar o mítico Pacific Crest Trail.

O Pacific Crest Trail pode ser percorrido a pé ou a cavalo. Existe também um caminho paralelo para bicicletas – um paraíso!

Estende-se da fronteira dos Estados Unidos com o México até à fronteira com o Canadá, seguindo os montes da Serra Nevada e a Cordilheira das Cascatas paralelamente ao Oceano Pacífico ao longo de 240 quilômetros. O trilho tem um total de 4260 quilômetros, atravessando florestas e reservas nacionais e zonas montanhosas, e evitando as cidades.

Goldpaint começou a fotografar os céus quando fez esse percurso a pé. Aquela foi uma viagem de descoberta: descoberta da natureza, do céu, das estrelas, da paixão em fotografá-las e de uma mulher, Marcella, intrépida e exploradora como ele, uma «alma gentil e carinhosa».

Num trilho com 4260 quilômetros de extensão, os caminhos de Brad e Marcella cruzaram-se ao quilômetro 80.

80 deve ser o número da sorte dos dois.

Marcella e Brad

O diretor, fotógrafo e editor do filme – só estreará em 2017 porque ainda há muita filmagem por fazer – chama-se Brad Um ano e meio depois, já a viver juntos, decidiram finalmente que havia mesmo um caminho ainda mais longo e definitivo a fazer: largaram o emprego (ele) e uma tese de doutoramento (ela), venderam tudo, compraram uma caminhonete e fizeram-se à estrada para fotografar a Mãe-Natureza, organizar workshops de fotografia e palestras sobre os inconvenientes da poluição visual.

Uma loucura irresponsável para uns, um ato de coragem e uma lição de vida para outros. Seja qual for a nossa opinião sobre esta aventura, Brad Goldpaint conseguiu torná-la recompensadora nos três anos que se seguiram.

É agora um fotógrafo freelancer com trabalhos publicados na National Geographic, Discover ou Wired. Uma das suas fotos – Wandering Light – foi selecionada pela NASA a 25 de julho de 2012 para o sítio Astronomy Picture of the Day.

O seu primeiro vídeo em time-lapse foi lançado em 2012 e resultou da junção de mais de 7000 fotografias e três anos de trabalho. «Within Two Worlds» apareceu na NBC e em dezenas de sites na web.

Era um projeto menos ambicioso que o próximo «Illusion of Lights: A Journey into the Unseen», mas chamou a atenção de empresas importantes: a Adobe e a eMotimo, fabricante de equipamento para câmaras fotográficas, são agora as patrocinadoras oficiais deste novo filme.

Brad e Marcella arriscaram em nome da vontade de serem iguais a si próprios e transmitir aos outros, pela fotografia, a sensação de viajar como «a meio de um sonho, semi-acordado, flutuando, entre o céu e a terra». Nômades de corpo e espírito, continuam a viver na velha caminhonete. 

Lar é onde seu coração está.

Fontes: AstroPT - Illusion of lights

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A morte silenciosa da Venus Express



A ESA declarou em dezembro passado o fim da missão Venus Express, depois da sonda ter esgotado o seu propelente durante uma série de manobras destinadas a elevar a sua órbita em redor de Vênus. Lançada em 09 de novembro de 2005, a sonda europeia entrou na órbita do planeta em 11 de abril de 2006, para uma missão originalmente concebida para durar 500 dias. 

Relativamente discreta, a missão acabou por acumular um conjunto impressionante de dados acerca de Vênus e da sua atmosfera, o que levou a ESA a financiar um total de três extensões à missão original.

No entanto, o fim era inevitável. Após 8 anos e mais de 3000 órbitas em redor de Vênus, o nível de propelente tornou-se baixo demais para que a Venus Express pudesse realizar de forma rotineira as manobras necessárias para se manter a uma distância relativamente segura da atmosfera venusiana.

Entre maio e junho de 2014, a equipe da missão programou a sonda para descer gradualmente a sua órbita a uma altitude de apenas 130 a 135 km. Esta manobra conduziu a Venus Express até às camadas mais exteriores da atmosfera de Vênus, o que deu aos cientistas da missão a oportunidade de testarem diferentes técnicas de aerotravagem.

No final de julho, a sonda concluiu com sucesso uma nova série de manobras que a colocaram de volta a uma altitude de 460 km. Contudo, a sua órbita continuou a decair, e quando, no final de novembro, o propelente se esgotou finalmente numa última série de manobras, a sonda entrou em modo de segurança, levando a ESA a dar por concluída a missão. 

Desde então, a Venus Express apenas conseguiu estabelecer um contato intermitente com a Terra. O último sinal de rádio foi detectado em 18 de janeiro, no momento em que a sonda viajava numa órbita a uma altitude de aproximadamente 120 km – o limiar da mesosfera venusiana. De acordo com as previsões dos cientistas da missão, a Venus Express mergulhou na atmosfera de Vênus durante a última semana de janeiro ou nos primeiros dias de fevereiro, sucumbindo silenciosamente ao gradual aumento da temperatura e da pressão em seu redor.

M104: a Galáxia do Sombrero (Nova Imagem)

A impressionante galáxia espiral M104 é famosa por seu perfil quase de lado que destaca um largo anel com faixas de poeira obscuras. Vistas em silhueta contra um extenso bojo de estrelas, as faixas de poeira cósmica dão uma aparência de um grande chapéu de abas largas à galáxia, sugerindo o seu apelido mais popular, a Galáxia do Sombrero.

Dados do Telescópio Espacial Hubble e do Subaru, no solo, foram reprocessados com dados de imagem em cores, feitas por amadores, para criar essa visão nítida da galáxia bem conhecida. O processamento resulta numa aparência de cor natural e preserva os detalhes muitas vezes perdidos no esmagador brilho do bojo central luminoso de M104, quando vista com instrumentos terrestres menores.

Também conhecida como NGC 4594, a Galáxia do Sombrero pode ser vista em todo o espectro e provavelmente abriga um buraco negro supermaciço central. Com cerca de 50.000 anos-luz de diâmetro e a 28 milhões de anos-luz de distância, M104 é uma das maiores galáxias na borda sul do Aglomerado de galáxias da Virgem.

Tirinha: Aí você acaba comigo!


Hércules A, a galáxia com um buraco negro devorador











A foto mostra Hércules A, uma galáxia a 1,9 bilhões de anos-luz de distância de nós, na constelação de Hércules.

Esta beleza espacial possui um buraco negro central que é um verdadeiro monstro devorador, com 1.000 vezes a massa do buraco central aqui da Via Láctea, o Sagittarius A*. O buraco hercúleo solta jatos a quase um milhão de anos-luz.



A imagem é uma composição de várias fotografias em comprimentos de onda ópticos (branco, laranja, azul), comprimentos de onda de raios-X (roxo) e comprimentos de onda de rádio (verde). Ela possui 3,3 minutos de arco de diâmetro, cobrindo cerca de 1,7 milhões de anos-luz. Foram necessárias 31 horas e 57 minutos de tempo de observação para formá-la.

Na luz óptica, Hércules A parece uma galáxia elíptica bastante chata. Mas não é: é uma galáxia ativa, com um buraco negro engolindo muito gás, poeira e estrelas.

O gás em queda no buraco negro é visto como uma nuvem gigante brilhando intensamente à luz de raios-X, enquanto jatos de partículas de alta energia de milhões de anos-luz de comprimento fluem do objeto em comprimentos de onda de rádio.

Quer saber como era a nossa galáxia a 10 bilhões de anos? Venham conferir




Se você conseguisse tirar uma foto da nossa Via Láctea hoje, a imagem iria mostrar uma galáxia espiral com um barra central brilhante, cheia de densas populações estelares. O sol estaria localizado fora desta barra, perto de um dos braços espirais compostos de estrelas e poeira interestelar; além da galáxia visível, estaria uma auréola de matéria escura.

Mas será que foi sempre assim? Não. 10 bilhões de anos no tempo, as coisas provavelmente seriam irreconhecíveis – como a foto esbranquiçada mostra. A imagem colorida, por outro lado, mostra a galáxia hoje. (Com simulações e olhando outras galáxias essa imagem está muito próxima da realidade.)





Teríamos que esperar cerca de 5 bilhões de anos depois do nascimento da Via Láctea para testemunhar a formação do nosso sistema solar. Porém, neste ponto, 4,6 bilhões de anos atrás, a galáxia já iria ser quase como é hoje.

Usando dois supercomputadores do Oak Ridge National Laboratory, nos EUA, e do Swiss National Supercomputing Center, na Suíça, um grupo de pesquisadores liderado pelo Dr. Simon Portegies Zwart do Observatório Leiden, na Holanda, simulou a evolução a longo prazo da Via Láctea nesse período de grandes mudanças – de 10 a 4 bilhões de anos atrás. “Nós realmente não sabemos como a estrutura da galáxia surgiu. O que percebemos é que podemos usar as posições, velocidades e massas de estrelas no espaço tridimensional para permitir que a estrutura emerja da gravidade própria do sistema”, explica o Dr. Zwart.

A equipe tem como objetivo comparar os resultados da simulação com as novas observações provenientes do satélite Gaia, da Agência Espacial Européia, lançado em 2013.

Vai ser difícil formar a imagem exata da nossa galáxia, porque estamos dentro dela.

Fonte: Sci News

Parabéns Opportunity! 11 anos em Marte!




Em 25 de Janeiro de 2004, o rover Opportunity chegou a Marte.
Apesar de ter sido uma missão planejada para somente 3 meses.

11 anos – mais de 41 quilômetros depois, o rover continua ativo e a fazer ciência na superfície marciana. As suas descobertas permitiram-nos ter uma melhor compreensão do presente e passado do “planeta vermelho”.

Desastre da Apollo 1





Os astronautas Virgil I. Grissom, Edward H. White II e
Roger B. Chaffee faleceram em 27 de Janeiro de 1967.

Os astronautas da Apollo 1 estavam no módulo de comando, num teste em Cape Canaveral, quando um fogo deflagrou nesse módulo. Não conseguiram abrir a escotilha e sucumbiram às chamas.

A data de lançamento prevista para a missão Apollo 1 era 21 de Fevereiro de 1967.

Devido a esta tragédia, o plano para as missões Apollo foi redefinido, e as 5 missões seguintes foram não tripuladas, de modo a incrementar a segurança dos astronautas.

O cometa Lovejoy num céu de inverno (Hemisfério Norte):




Qual desses ícones do céu noturno você pode encontrar nesta exposição bela e profunda do céu de inverno no hemisfério norte? Entre muitas luzes celestes, se incluem as estrelas no cinturão de Orion, a Nebulosa de Orion, o aglomerado estelar das Plêiades, as estrelas brilhantes Betelgeuse e Rigel, a Nebulosa Califórnia, o Loop de Barnard e o cometa Lovejoy.

As estrelas do cinturão de Orion estão em posição quase vertical na linha central, entre o horizonte e o centro da imagem, com a estrela mais abaixo do cinturão obscurecida pelo brilho vermelho da Nebulosa da Chama. À esquerda do cinturão está o arco vermelho do Loop de Barnard, seguido pela brilhante estrela laranja Betelgeuse, enquanto à direita dele está a colorida Nebulosa de Orion seguido da estrela azul brilhante Rigel.

Perto do centro superior está o aglomerado de estrelas azuis brilhantes das Plêiades, e a nebulosa vermelha à sua esquerda é a Nebulosa Califórnia. O ponto laranja brilhante acima do centro da imagem é a estrela Aldebarã, enquanto o objeto verde com a cauda longa à sua direita é o cometa C/2014 Q2 (Lovejoy). A imagem em destaque foi tomada cerca de duas semanas atrás, perto da vila de Palau, na Espanha.


Fonte: AstroPT

Urano, 29 anos depois

 

Em 24 de Janeiro de 1986, a sonda Voyager 2 passava a somente 81.000 km de distância do planeta Urano.

Foi a primeira e última vez que uma sonda construída pelo Homem visitou o 7º planeta a contar do Sol.

Este “abraço planetário” permitiu a descoberta de 10 pequenas luas e de um campo magnético.


Que belo planeta!



Fonte: AstroPT

NASA lança magnífica biblioteca sonora de suas missões gratuitamente:



Você, que já fica feliz com o Soundcloud e seu potencial de transmitir música com qualidade e facilidade, prepare-se para amar ainda mais esta ferramenta. Isso porque a NASA criou uma biblioteca com áudios históricos de missões - e é tudo de graça.

Link: https://soundcloud.com/nasa

 


Mais de 60 amostras foram adicionados à nova conta dedicada à agência, porém os ouvintes não podem deixar comentários nos arquivos. Dentre as opções disponíveis estão coisas como avisos de lançamentos de ônibus espaciais, sons da famosa nave Sputnik e comunicações de astronautas, incluindo os clássicos “Houston, we have a problem” e “The Eagle has landed”.

No espaço, em si, o som é incapaz de viajar, pois não há ar.

“Você pode ouvir o rugido de um lançamento de ônibus espacial ou Neil Armstrong dizendo ‘um pequeno passo para [um] homem, um salto gigante para a humanidade’ cada vez que você receber um telefonema, se você fizer dos nossos sons seu toque de celular”, sugeriu a agência espacial.

“Ou, você pode ouvir as palavras memoráveis ‘Houston, we have a problem’ cada vez que você cometer um erro no seu computador”.

A biblioteca de som se junta à extensa biblioteca de imagens da NASA, que também está disponível gratuitamente.


Link: http://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/#.VEnaXvldUYE

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Pensamento do dia


O que é isso no horizonte? É um pilar solar

Um pilar solar sobre Ontário:



 
Quando a atmosfera está fria, por vezes formam-se cristais de gelo planos de seis lados, à medida que caem de nuvens altas. A resistência do ar faz com que esses cristais fiquem numa posição plana a maior parte do tempo em que flutuam até o chão. Quando são vistos na direção do Sol nascente ou poente, os cristais planos refletem a luz do sol, criando uma coluna de luz pouco comum – um pilar solar.

A imagem foi tirada no Ontário, Canadá.

O que está acontecendo no centro da nossa Via Láctea?


 

Para ajudar a descobrir, os telescópios espaciais em órbita Hubble e Spitzer combinaram seus esforços para realizar uma inspeção naquela região em detalhes sem precedentes em luz infravermelha.

A luz infravermelha é particularmente útil para sondar o centro da Via Láctea, porque a luz visível é muito mais obscurecida pela poeira.

Esta visão engloba mais de 2.000 imagens feitas com o instrumento NICMOS, a bordo do Telescópio Espacial Hubble, em 2008. A imagem abrange um campo de visão de 300 por 115 anos-luz, com uma resolução tão alta que estruturas de apenas 20 vezes o tamanho do nosso próprio Sistema Solar são perceptíveis. Nuvens de gás brilhante e poeira escura, bem como três grandes enxames de estrelas, são visíveis.

Campos magnéticos podem estar canalizando plasma ao longo da parte superior esquerda, perto do enxame chamado Arches, enquanto os ventos estelares energéticos estão esculpindo pilares perto do enxame Quintuplet, no canto inferior esquerdo.

O enorme Enxame Central de estrelas ao redor de Sagitário A*
(O nome do buraco negro no centro da nossa galáxia) é visível no canto inferior direito. O motivo pelo qual várias estrelas centrais brilhantes e massivas não estão associadas com esses enxames ainda não é compreendido.

Você pensa que a vida no espaço é fácil? Surpreenda-se com esse TOP 5

5. Você precisa se exercitar constantemente (senão corre o risco de desmaiar)



É de se esperar que uma certa quantidade de exercício físico seja necessário para compensar a falta de gravidade do ambiente. O detalhe é que, além de você ser capaz de levantar facilmente os halteres gigantescos que só os caras mais bombados da academia conseguem (lembre-se: não há gravidade, então as coisas não “pesam” nada), você vai ter que se exercitar várias horas por dia. Sempre. E você não tem escolha.

Há duas razões por trás disso. A primeira e mais evidente delas é evitar que seus músculos e ossos fiquem quebradiços e se transformem em uma papa amorfa devido à ausência da gravidade. O outro motivo é um fenômeno maluco chamado intolerância ortostática. Essa é uma novidade para muita gente.

Na Terra, essa é a razão pela qual, por vezes, sentimos uma tontura quando nos levantamos muito depressa. Fora do nosso planeta, se torna um dos principais motivos para você e seu estilo de vida sedentário odiarem o espaço. Seu corpo é normalmente capaz de lidar com a intolerância ortostática, elevando a sua frequência cardíaca e pressão arterial até que você se recomponha. Entretanto, no espaço, seu coração não colabora muito.

Percebendo que não precisa mais lutar contra a gravidade, como está acostumado aqui embaixo, ele fica mais preguiçoso e bate cada vez menos e de maneira mais fraca – e, consequentemente, sua pressão arterial cai. Resultado: você vai desmaiar. Repetidas vezes.

Seu único remédio? Fazer MUITO exercício. O ideal recomendado aos astronautas é que malhem durante duas horas e meia, todos os dias em que estiverem em órbita. E não estamos falando de exercícios divertidos com aquela mini cama elástica, bolas grandes e coloridas ou qualquer outro adereço que possa desviar sua atenção do exercício em si.

Os viajantes espaciais precisam passar esse tempo todo amarrados em uma das três engenhocas disponíveis (um circuito de academia, uma esteira ou um combinado espacial digno de Chuck Norris, chamado ARED). Tudo isso, lembre-se, em uma salinha minúscula, sem uma ampla janela na sua frente, tampouco com uma leve brisa soprando – e cheio de cabos ligados ao seu corpo para que não saiam voando no meio da série.

E todo esse esforço não será recompensado com uma barriga de tanquinho – os únicos prêmios que os astronautas recebem após tanto esforço são o privilégio de manter a consciência ininterruptamente e a capacidade de evitar que seu corpo se desmanche como uma massa de uma empada assim que retornem ao campo de gravidade da Terra.




4. Você vai voltar mais alto (e isso será incrivelmente doloroso)


A maioria das pessoas que você conhece não se importaria de se tornar um pouco mais altas, certo? Pois bem, avise a elas que isso pode ser feito. Se por acaso acontecer de elas e você se aventurarem no espaço, logo terão uma agradável surpresa: um surto de crescimento induzido pela falta de gravidade aumentará a sua altura em cerca de 4 a 6 centímetros. E quando dizemos “agradável”, por favor entenda “terrivelmente doloroso e deformante”. Afinal, o que está acontecendo, basicamente, é que seus nervos em sua coluna estão sendo esticados.

Normalmente, a medula espinhal humana permite que o nosso cérebro se comunique rapidamente com qualquer parte do corpo. Porém, qualquer situação incomum que altere essa configuração natural (como estar no espaço sideral, por exemplo) tende a produzir dificuldades.

Os discos intervertebrais que amortecem a coluna dos efeitos da gravidade subitamente se tornam inúteis. Logo, suas vértebras começam a se afastar preguiçosamente umas das outras, deixando a estrutura da coluna vertebral cada vez mais alongada.

A boa notícia é que você fica, de fato, mais alto, pelo menos enquanto estiver em um ambiente de microgravidade. A má notícia é que você provavelmente experimentará uma dor crônica nas costas, uma vez que sua coluna, assim como seus nervos, será constantemente esticada como um acordeão. Além disso, seus nervos também correrão grande perigo de serem danificados.

E imagine o que acontece quando você finalmente desembarcar de volta em um planeta dotado de campo de gravidade. Sua espinha, deformada devido ao tempo que você passou fora da Terra, terá que aguentar o baque causado por suas vértebras, que tentarão se reajustar ali dentro – como um elástico que é esticado e depois solto – após a liberdade excessiva que a falta de gravidade lhes proporcionou. Em seu processo de readaptação à Terra, você também correrá sérios riscos de sofrer com hérnia de disco.



3. A radiação afeta seus olhos


Os astronautas a bordo dos primeiros voos espaciais ficaram confusos e assustados devido a misteriosos raios de luz que eles notaram enquanto estavam em órbita. “Grande coisa”, você pode pensar, eles estavam no espaço sideral, deve haver uma gigantesca quantidade de coisas estranhas acontecendo por lá. Talvez fosse um raio de luz solar refletindo em um satélite, algum fragmento brilhante de um meteoro ou apenas uma nave alienígena curiosa.

Havia apenas um problema: aquelas luzes estranhas nunca ocorriam quando eles estavam realmente olhando para algum lugar – esses flashes brilhantes eram visíveis apenas com os olhos fechados. Sim, no espaço, você tem a sua própria discoteca particular na sua cabeça. Além disso, você provavelmente vai pensar que está ficando louco toda vez que der uma piscada um pouco mais demorada.

Cientificamente, este curioso espetáculo de luz é causado por partículas altamente carregadas (ou seja, radiação) que viajam livremente pelo espaço – até encontrarem sua retina e irem diretamente na direção (e através) dela. Como as partículas radioativas atingem seu olho em grande velocidade, elas enganam seu cérebro para que ele pense que você está vendo luzes.

A blindagem magnética benevolente da Terra nos protege da maioria da matéria elétrica que o sol lança constantemente em nós. Portanto, nós não desfrutamos de um show pirotécnico psicodélico a cada vez que piscamos aqui na Terra. No espaço, por outro lado, não há nenhum nível de proteção magnética, de modo que os olhos de quem se aventura por aquelas bandas precisam lidar com toda a fúria penetrante do sol.

À primeira vista, estas luzes podem parecer apenas um inconveniente. Mas depois, principalmente perto do seu primeiro turno de dormir, a realidade bate à sua porta: como diabos você vai conseguir pegar no sono quando o interior de suas pálpebras parecer mais que um show de luzes.

Seus problemas, claro, não terminam por aí. O espaço é um bastardo vingativo que também deseja te sacanear a longo prazo. A penetração da radiação constante realmente provoca dano estrutural aos tecidos delicados de seus olhos, o que pode causar prejuízos permanentes à sua visão caso você fique mais de um mês sob essas condições.



2. Você sente seu nariz sempre entupido e precisa desesperadamente de comida picante


Os alimentos preparados especialmente para os astronautas sempre tiveram um aspecto pastoso entre comidas de verdade e refeições em pílulas. Felizmente, as coisas evoluíram bastante ao longo do tempo nesse campo. Tanto que, hoje em dia, você pode se deliciar nas alturas com alimentos como barras de bacon e coquetel de camarão.

Porém, você não será capaz de provar qualquer uma dessas comidas a menos que você adicione molho picante ou o tempero japonês wasabi, porque o espaço arruína a sua capacidade de sentir o gosto das comidas.

Os fluidos do corpo humano ficam um pouco malucos quando se está em um ambiente de microgravidade. Eles tendem a se aventurar por locais desconhecidos do organismo e explorar cavidades inéditas. As regiões do corpo com a maior quantidade de cavidades prontas para receberem esses fluidos desbravadores são a cabeça e o tronco. Consequência? A cabeça do viajante espacial incha, assim como a parte superior do corpo como um todo, dando a impressão de que os astronautas de repente começaram a tomar esteroides.

Um efeito colateral prático deste inchaço é que a sua versão espacial passa a sofrer de congestão nasal constante. E já que a gravidade não é capaz de manter seu ranho no lugar onde ele pertence, você acaba com a cabeça cheio de muco, o que te dá a impressão de estar sempre doente, mesmo quando você está saudável (até porque, se você realmente estiver doente, estará em sérios apuros).

A única solução para aliviar esse sentimento incômodo é a sensação ardente da comida picante. Acredita-se que a pimenta é o único alimento capaz de obstruir a cavidade nasal, devolvendo aos astronautas a capacidade de sentir os aromas das comidas que eles ingerem.

É por isso que alimentos picantes são tão valiosos a bordo da Estação Espacial Internacional. A situação é tão desesperadora que a astronauta Peggy Whitson uma vez “brincou” de ameaçar impedir a entrada de um ônibus espacial visitante a menos que seus colegas levassem alimentos picantes como presente.
 
 
 
 



1. Se você ficar doente, você estará perdido


Os astronautas, os poucos sortudos que têm a chance de fugir do nosso nobre planeta, o primeiro passo para a sua preparação é… ficar isolado em quarentena. Isso se justifica porque você certamente não vai querer levar todas as nossas doenças aqui da Terra com você para o grande além – onde, aliás, até mesmo os mais inofensivos micróbios tendem a adquirir uma força, digamos assim, galáctica.

Você não pode correr riscos, uma vez que as bactérias com as quais estamos acostumadas se transformam em criaturas totalmente diferentes lá fora. Uma infecção bacteriana no espaço levará seu corpo a responder drasticamente reduzindo, de forma automática, a imunidade de seu organismo, o que, no final das contas, não será nem sombra de como era na Terra.

Esta não é apenas mais uma situação de “você provavelmente terá um pouco de tosse” – é realmente grave. Experimentos de laboratório com salmonelas mutantes do espaço mostram que as bactérias podem infectar camundongos (e, presumivelmente, seres humanos) com três vezes mais eficiência em um ambiente de microgravidade em comparação com uma infecção aqui na Terra.

E isso que a experiência utilizou camundongos com o sistema imunológico perfeito, apresentado no nível da Terra – não se pode afirmar o que aconteceria se a salmonela alienígena contaminasse um organismo já debilitado e com a capacidade de lutar contra intrusos devastada após algum tempo em órbita.

Pior: os medicamentos espaciais são praticamente inúteis. Remédios e vacinas também têm a tendência de perder sua potência fora do nosso planeta.

Ou seja, se você ficar doente lá fora, você estará perdido. No espaço.



Fonte: Hypescience